Conversando com Larissa Barros Leal

Olá amores 🙂

O post de todos é para aqueles que leram e amaram o livro Érica assim como eu. A autora parceira Larissa cedeu um pouco do seu tempo para responder algumas curiosidades minhas sobre o livro e sobre ela como pessoa. A entrevista ficou demais! O livro já foi resenhado aqui no blog, a resenha você encontra AQUI. Larissa me contou sobre como foi ter seu livro traduzido para outro idioma, qual o personagem favorito dela e ainda nos disse no que se parece com a personagem principal Érica. Agradeço imensamente a Larissa por ter arrumado um tempinho pra mim e pela atenção e carinho que teve. Confira tudo logo abaixo:

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  • Como começou seu envolvimento com o mundo literário? Sempre teve vontade de escrever?

R: “Escrevo desde que aprendi a fazê-lo, aos 4 anos. Criatividade sempre foi uma parte muito importante de mim. As ondas criativas vêm e eu tenho que deixá-las fazer seu trabalho, se não a frustração é imensa, podendo até me bloquear de fazer outras coisas (principalmente estudar). Aos 10 anos, comecei a ter um foco: escrever um livro. Foram várias tentativas fracassadas, até que, aos 14 anos, veio a ideia de ÉRICA. ”

  • Érica se tornou uma personagem forte e destemida com o tempo e os sofrimentos. O que de você, Larissa, se parece com a personagem?

R: “Confesso que Érica é muito mais sobre quem eu gostaria de ser do que quem sou! Não sei se teria a coragem e a determinação que ela teve para enfrentar tudo aquilo. Eu queria uma personagem que pudesse ser inspiradora, então usei características que eu gostaria ter ou que eu já tenho, mas que queria fortalecer.”

  • Qual dos seus personagens é o seu “queridinho” ? porque?

R: “Derek! A personalidade e a história dele foram além do livro em minha mente, o que o tornou um dos meus favoritos. Por esse mesmo motivo, a Sofia, que pouco aparece, está mais alta no meu ranking do que provavelmente no da maioria dos leitores. Até tentei escrever um spin-off sobre os dois, mas como não havia uma história de fato relevante na trajetória deles antes da Érica, o projeto não foi em frente.”

  •  O livro é repleto de detalhes sobre outros países, roupas, costumes, saúde… Você já visitou esses países ou foi tudo feito com grande pesquisas? Então Ser detalhista é uma qualidade sua?

R: “Vamos começar com Fortaleza: nasci e moro nela! Agora vamos de cidade em cidade: Brasília: até fui, mas lembro de pouca coisa.

Pequim, Frankfurt, Moscou: visitei as 3 cidades meses antes de ter a ideia de Érica.

Washington, Cairo: se você perceber, quase não há cenas “exteriores” nessas cidades. O motivo? Nunca estive nelas.

Pesquisei muito não sobre os locais, mas sobre a cultura e a religião. Principalmente o islamismo, por causa da história de Cairo. Uma curiosidade para você: Originalmente, Jamil e Mohammed eram vilões secundários que se redimiriam no final, enquanto Iasmim era uma rebelde infiltrada que posteriormente contaria com a ajuda de Mahara. A pesquisa que fiz sobre islamismo destruiu essa história. Inúmeros mitos que eu tinha sobre a religião caíram por terra, e eu queria que mais pessoas também percebessem o quanto a noção que temos dos muçulmanos é errada. Também fiz pesquisas sobre a Europol ara checar se havia brechas para a licença poética que inseriu Érica, Derek e Sofia nela.

Sobre ser detalhista… bem, eu tento medir isso. Não sou muito boa em descrições, apesar de vir melhorando com o treino – venho treinando muito, justamente por ser uma fraqueza minha. Certamente, os próximos livros terão descrições ainda melhores!”

  • Você utilizou algum material como referencia (livro/autor) para escrever esse gênero ou foi simplesmente uma ideia que brotou na sua mente?

R: “A ideia surgiu depois de assistir SALT, um filme estrelado por Angelina Jolie. De resto, veio tudo da minha cabeça mesmo, sem inspiração consciente.”

  • Como foi a experiencia de ter seu livro traduzido para outro idioma? É uma realização sua ? Pretende lançar o livro em mais países e outras linguagens?

R: “Foi maravilhosa! Foi ideia do meu pai, então não era uma ambição minha. A faculdade atrapalha um pouco a tradução para outros idiomas; quero focar minha atenção nos leitores brasileiros.”

  •  No livro tem um casal homossexual. Qual a sua opinião sobre o preconceito ainda enfrentado por eles atualmente? O casal do seu livro foi uma forma de dizer que você não tem preconceitos?

R: “Eu poderia dizer várias coisas sobre a homofobia, mas o que realmente penso é: por que as pessoas se incomodam tanto com a sexualidade alheia? Não tenho preconceito contra a comunidade LGBT mais porque a sexualidade deles não me interessa. Claro que ela influencia a personalidade da pessoa, mas nada que afete minha relação com todos os membros dela. Pessoas são pessoas – meu preconceito só afeta psicopatas, pedófilos e afins (e não me venha dizer que não é justificado). Sobre Meredith e Ashley, essa foi mais uma mudança do rascunho original. A Meredith original era hétero e tinha um namorado online; o personagem gay original era Jude (assim determinado pelo simples motivo de retratar a comum realidade de um menino gay andando entre várias meninas, não para preencher uma “cota”). No entanto, algo estava errado. Era como se tanto Jude quanto Meredith estivessem ao meu lado, dizendo que aquilo era uma grande mentira. Jude dizia “Tira isso, eu gosto de meninas! M-E-N-I-N-A-S!”, e Meredith fazia coro: “Eu também! E que história é essa de namoro online? Minha namorada estuda comigo, ok?” Não se ignora protesto de personagem! Usando a regra do “Mostre, não diga”, dei à namorada da Meredith um nome e um rosto: Ashley, a garota loira que compra flores para a namorada. Já com Jude, como não queria deixar a Natalie de vela, dei a ele uma ex – que vocês só sabem lendo o livro!”

  •  Aproveitando esse assunto polemico sobre preconceito, no livro é muito abordado a questão de religiões. Você acha que os brasileiros tem a mente mais “aberta” sobre esse assunto do que os países de fora que fazem guerra sobre o assunto?

R:”A diversidade religiosa que o Brasil sempre teve ameniza bastante a intolerância religiosa. Infelizmente, porém, ainda se vê muito radicalismo. E o ISIS vem provocando um aumento na hostilidade a muçulmanos no mundo todo, e o Brasil não escapa. Contudo, acho que sim, temos a mente mais aberta quanto a isso. Espero que isso não mude.”

  • Quando pensou em lançar o livro, você enfrentou muitas dificuldades? Acha que o autor brasileiro é pouco valorizado?

R: ” Mandei o livro a 3 editoras. Uma me rejeitou, o que foi melhor que outra dela fez: nada. Desde 2013 espero resposta. A 3ª foia Novo Século, que me aceitou e não pôs obstáculos à publicação. Tive sorte, mas felizmente as editoras brasileiras parecem estar dando mais holofote aos autores da casa. Prova disso foi a Samantha Holtz ter entrado na Arqueiro, que praticamente só publica traduções. Ainda há muito chão a percorrer, mas os primeiros passos vêm sendo dados.”

  • O final do seu livro é fantástico. Já aconteceu de alguém soltar spoiller e estragar tudo?

R:”Já, inclusive pela minha prima e pela minha mãe! E uma vez um blogueiro soltou o final na resenha. Felizmente, ele aceitou tirar.”

  • As capas dos seus livros são lindas. Foi você quem escolheu ou foi trabalho todo feito pela editora?

R:” A editora (no caso da edição vermelha, um desenhista amigo da família) fez, e eu aprovei. Todos os créditos vão para eles.”

  • Como você fez para criar a personalidade de vários personagens? Foi difícil alterar as historias deles ou veio tudo naturalmente ?

R:” Com algumas exceções, que vou listar já, a maioria das personalidades veio naturalmente. Tanto que me surpreendi quando várias resenhas elogiaram o desenvolvimento dos personagens. Sobre as exceções:

Érica e Sofia: ambas foram criadas com o propósito de terem as personalidades que tiveram.

Jude, Meredith, Jamil, Mohammed e Iasmim: como foi dito acima, as histórias dos 5 foram drasticamente alteradas, o que mudou a personalidade deles. As originais não foram planejadas; as finais foram.

Chang e Ling: seus dramas adicionais não existiam no original.

Ashley: a versão “do meio” (nem a original nem a final) incluía muito mais cenas dela – o irmão mais novo, que na versão final é só mencionado uma vez por Meredith, aparecia nessa versão. O problema: o propósito de Ahsley era basicamente auxiliar Natalie e Meredith no que elas precisassem. Não foi uma personagem que nasceu para o holofote. As cenas que davam esse holofote atrapalharam mais que enriqueceram a história. Não tenho vergonha de dizer isso; toda história tem seus personagens de auxílio. No livro mesmo há outros personagens assim: Klaus, os pais de Érica, Lisa (a irmã mais nova do Thiago), Wu… Esses personagens têm a atenção que história deixar; nada mais. ”

  •  O livro parece ter sido escrito por alguém com anos de carreira. Como foi o processo de “montagem” do livro? Você escreveu um esbouço e foi aprofundando o tema, teve dúvidas no processo de escrituração do livro?

R:”Você acha isso mesmo? Muito obrigada!

Talvez essa impressão venha do que eu disse na 1ª pergunta: foram várias tentativas antes de chegar a Érica. E a versão original difere da final em vários aspectos. Além dos dois que mencionei, há alguns outros: Derek não era judeu, o prólogo não existia, havia dois triângulos amorosos, entre outras mudanças que não vou falar por ser spoiller.

Inúmeras vezes me perguntei se valia a pena continuar. Todas as vezes eu me forçava a acreditar que Érica daria certo. Eu me lembrava da determinação que botei na protagonista e usei para terminar a história dela.”

  • Quais são seus planos? Tem um próximo livro em mente? Haverá uma continuação de Érica ?

R:”Continuação? Não! A história já foi toda contada. Não há mais o que contar (claro, exceto uma eventual fanfic de algum leitor *-*). Tenho outros projetos, bem diferentes de Érica. Contudo, há a faculdade (faço Medicina), na qual quero me focar.”

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2 comentários sobre “Conversando com Larissa Barros Leal

  1. Olá! Primeiramente, seu blog é um amor, eu amei!
    Me deixa muito feliz ver o quanto a literatura nacional está crescendo, sonho com que nossos autores sejam mais valorizados. Concordo com a autora, muitas vezes a religião islâmica é vista de maneira errada. Não sabia nada sobre o livro e agora fiquei muito curiosa! Vou lá ver a sua resenha 🙂

    Espero que nossa parceria dure!
    Beijos, Débora,
    Queremos mais livros.

    Curtido por 1 pessoa

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