Conversando com Alexandre e Simone Fraenkel

O primeiro post desse mes é para aqueles que leram e amaram o livro Receitas do Prazer assim como eu. Os autores Alexandre e Simone Fraenkel nos cederam um pouco do seu tempo para responder algumas curiosidades minhas sobre o livro e sobre opniões deles. A entrevista ficou demais! Tem até trilha sonora e a explicação de porque a personagem se chama Julia. O livro já foi resenhado aqui no blog, basta clicar que sera redirecionado Resenha – Receitas do Prazer.  Agradeço imensamente aos dois por terem arrumado um tempinho pra mim e pela atenção e carinho que tiveram ao responder. Vocês merecem todo o sucesso do mundo! Obrigada ❤ Confira tudo logo abaixo:romance_erotico__grande

  • Vou começar por uma curiosidade minha. Porque escolher uma personagem ruiva? E porque ela usava tanto preto? É uma característica sua Simone ou é um gosto seu Alexandre? 

“R: Adoramos sua curiosidade; nunca nos perguntaram isso! Escolhemos uma personagem ruiva porque concordamos que para a maioria das pessoas representa fogo, sedução e paixão. As ruivas possuem um certo mistério!

Ambos usamos muito preto. É uma cor curinga e ao mesmo tempo sexy! Fácil de combinar e chique. Usando preto você nunca erra! No nosso caso, também serve para realçar nossas tatuagens!”

  • Julia sempre apresentava looks incriveis. Vocês são muito ligados a moda?

“R: Eu Simone, sim! Acho importante saber escolher as peças que estão na moda adequadas ao meu tipo físico. Esse é o grande segredo.

O Alexandre acaba de dizer que costuma usar a mesma roupa para ir ao supermercado e a uma festa; normalmente, calça jeans e camiseta ou camisa preta.”

  •  O modo como a protagonista é independente me deixou apaixonada pela personagem. O modo como colocaram a personalidade da Júlia foi um apoio a causas feministas? 

“R: De certo modo sim. Na verdade valorizamos a liberdade e a força das mulheres. Concordamos que não deveria haver diferença entre os sexos. As mulheres podem e devem lutar pelas mesmas oportunidades profissionais que os homens e também pelo mesmo direito de escolha do tipo de vida que querem ter. ”

  • Em pleno seculo XXI o sexo ainda é considerado tabu por algumas pessoas. Vocês sofreram ou sofrem algum tipo de preconceito ou critica por escreverem um livro adulto?

“R: Infelizmente sim. E o susto é maior quando o preconceito vem das pessoas mais próximas. O Alexandre costuma dizer que um escritor de histórias policiais não precisou matar para conseguir escrever a respeito. O mesmo acontece conosco! Nossa história é ficção; nem tudo foi vivido por nós.”

  •  Vocês dois formam um casal muito lindo e simpático. Eu fiquei curiosa sobre como foi escrever o livro juntos. Em alguma parte teve alguma discordância? Foi divertido? 

“R: Primeiro agradecemos o doce elogio! Será guardado para sempre em nossos corações!

Vou contar um segredo… Estamos casados a treze anos e desde então, fazemos tudo juntos! Essa sintonia é a mesma quando escrevemos. Por exemplo: Um de nós tem uma idéia e dá a deixa para o outro complementá-la! E o melhor, na hora de escrever, não há certo ou errado. Tudo é válido e aproveitado. Temos muito respeito e admiração um pelo outro. ”

  • Porque escrever um livro desse gênero? Tem algum autor que inspirou vocês? 

“R: Nossos filhos nos perguntaram a mesma coisa: Porque um romance tão picante? A resposta é simples; a inspiração veio desse jeito. Adoramos escrever com linguagem adulta, sentimo-nos a vontade porque é como enxergamos o mundo. E vendo outros livros do gênero percebemos que ainda faltava algo!

Sidney Sheldon é uma inspiração. Suas personagens sempre são mulheres fortes, poderosas e sedutoras.”

  • O triangulo amoroso foi muito bem elaborado. Vocês já viveram alguma situação assim? Uma disputa pela mesma pessoa?

“R: Graças a Deus, não! Há! Há! Há! Temos muitos amigos e conhecemos várias histórias. Serviram de inspiração. ”

  •  Algum personagem na trama foi inspirado em alguém real? Quem? Como vocês fizeram para definir a personalidade de cada um?

“R: Suas perguntas são incríveis e você é muito inteligente!

Sim! Mas, infelizmente não podemos revelar quem… Esse é o grande prazer em poder escrever! Você acaba resolvendo desavenças de uma maneira muito peculiar e ao mesmo tempo, elegante! Garantimos que dá mais resultado do que terapia.

Eu Simone, brinco que agora é assim… Se algo ou alguém me desagradar vai para o livro! Há! Há! Há!

Faz parte do processo de criação da história. Primeiro, fazemos uma sinopse da trama. Depois definimos quantos e quais serão os personagens. Em seguida traçamos o perfil de cada um, detalhando o maior número de características possível.”

  • Vocês enfrentaram alguma dificuldade ao lançar um livro desse gênero? Acham que o escritor brasileiro é desvalorizado?

“R: Sim. As dificuldades começaram na escolha da editora, pois não são todas que aceitam esse gênero. Vamos dar um exemplo:

Em 2014, fomos convidados para autografar e dar uma palestra na Feira do Livro de Joinville/ SC. Chegamos animados no evento. Uma das diretoras era evangélica e não sabia do que se tratava o livro. Houve um grande mal-estar. Acabamos com uma mesa minúscula em um canto isolado do pavilhão. A impressão de quem passava ali era que estávamos de castigo! E a palestra foi cancelada!

Outro problema que enfrentamos é em relação ao espaço nas livrarias para novos autores nacionais. Normalmente, eles organizam os livros em uma prateleira no fundo da loja e só permitem a colocação de poucos exemplares.”

  • Durante o livro sempre são muito detalhados os lugares que os personagens estão o que facilitou bastante a leitura e imaginação de quem lê.  Vocês estiveram nesses lugares ou foi pura pesquisa?

“R: Estivemos em todos citados. Adoramos viajar. E emprestamos nossa experiência para a trama.”

  • Qual é o personagem “queridinho” de vocês? Porque?

“R: Alexandre: O Capitão, claro! Porque é um personagem muito decidido e confiante. Ele é macho sem ser machista!

Simone: A Júlia! Porque ela representa muito bem a mulher atual que não teme chamar atenção ou demonstrar os sentimentos. Sabe enfrentar os problemas de frente, com coragem. A mulher de hoje não se acovarda! É destemida! E vai de encontro aos sonhos; dá espaço para que eles aconteçam. Tudo isso sem perder a elegância ou o charme. A mulher agora aprendeu a querer prazer e por isso também, sabe como satisfazer o outro. Aplausos a todas as Júlias do nosso tempo!”

  • Dois dos protagonistas tinham tatuagens. Muitas vezes escuto pessoas dizendo que isso é “coisa de vagabundo” e as vezes ate não aceitam a pessoa no emprego por causa das tattos. Vocês tem tatuagens? Vocês acham que o povo brasileiro ainda tem preconceito com isso? Como fazer para mudar essa realidade?

“R: Nós dois temos várias! E começamos a fazê-la depois que casamos. Concordamos em dizer que tatuagem é cultural. Em cidades praianas são mais comuns. Mas sabemos que o preconceito ainda é latente e o enfrentamos dentro da nossa família.

Achamos que a tatuagem é arte na pele. No nosso caso, nosso tatuador é também artista plástico. Ele inclusive fez a capa do primeiro livro. Criou para nós um desenho exclusivo

Nosso conselho para quem deseja começar a se tatuar é pensar bastante antes; não fazer por impulso! A escolha do desenho deve ter um significado especial e que seja algo positivo. Outro detalhe, melhor começar a fazer tatuagens após ter definido a carreira e perceber se a escolha permite flexibilidade para isso. ”

  • Já vivenciaram alguma cena engraçada com algum fã a respeito do livro? 

“R: Várias. Contaremos algumas:

Os amigos do nosso filho foram os primeiros a conhecer a história da Júlia e ficaram completamente apaixonados por ela! Um deles, certa vez nos contou que quando entrou no ônibus, viu ao fundo uma ruiva belíssima. Ele disse que teve vontade de se aproximar e perguntar: – Júlia, é você?

Outro, que nunca passou sequer na porta de uma academia de ginástica, confessou interessado em se matricular em uma, inspirado na Júlia.

Um terceiro, sem namorada quando leu o livro, disse que faria a próxima assinar na última página, concordando com tudo, antes de firmarem compromisso.

E mais um, falou que pretendia fazer uma camiseta para correr à beira mar com os dizeres: – Júlia, cadê você?

Mudamo-nos recentemente. E precisamos nos adequar ao espaço do novo apartamento. Para isso, tivemos que adquirir algumas coisas novas. Escolhemos uma loja perto do novo endereço para as compras. O gerente foi muito gentil conosco. Demos para ele um exemplar do livro e combinamos voltar à loja um mês depois para buscarmos uma mercadoria que não constava no estoque. Quando chegamos, o rapaz veio logo nos receber. Disse que o livro passou pelas mãos de quase todos os funcionários. Mas, havia uma moça em especial que ficou muito fã da história e que gostaria de nos conhecer. Para nós foi um grande prazer. A moça veio muito tímida, trêmula até. Eu Simone, senti-me igual a Xuxa! A moça me perguntou o que ela deveria fazer para ser convidada para as festas que a Júlia frequentava. Confesso que fiquei sem saber o que dizer… Acabei explicando que tudo era ficção. A moça ainda insistiu dizendo que estava disposta a pintar o cabelo e ficar ruiva se houvesse necessidade.

Um casal de mais idade veio nos contar que o livro ajudou a reacender a chama do casamento e que os vizinhos começaram a reclamar do barulho e risadas altas!”

  • Geralmente dizem que as ideias veem quando você quer dormir. Já aconteceu de terem uma ideia ótima pro livro e levantarem correndo para ir escrever ou quando isso acontece vocês deixam para escrever no dia seguinte?

“R: Simone: Vou contar um detalhe! Eu me preparei durante a vida para um dia me tornar escritora; fiz vários cursos. Esperava o momento certo!

Eu não conheci minha avó paterna. Mas cresci com minha mãe falando sobre as semelhanças que tínhamos tanto física quanto de personalidade. Aprendi a amar minha avó mesmo sem ter tido a oportunidade de conviver com ela. A única coisa que herdei dela foi uma foto muito antiga.

Eu sonhei com minha avó e ela me falava que era o momento adequado para eu escrever e que o livro seria um grande sucesso!

Sabe qual era o nome da minha avó? Júlia! Escolhi para a personagem principal o nome que toca meu coração e acho maravilhoso! É uma homenagem a minha avó que era uma bela mulher e de muita coragem. O Alexandre aprendeu a admirá-la com as histórias que contei e achou minha iniciativa perfeita.

Eu costumo sonhar com as tramas dos livros e já mudamos o nome de um por causa de um sonho. Eu acordo e divido toda a experiência com o Alexandre.

Alexandre: Tenho inspiração a noite, quando tudo está calmo e tranquilo. O telefone não toca e é possível deixar os pensamentos fluírem sem interrupção.”

  • Sentimentos negativos como ódio, ciúme, inveja, vingança são motores bem regulados para a criação de uma obra? Vocês ja criaram algo com base no que estavam sentindo na hora?

“R: Sim. Justamente o que explicamos anteriormente. Os personagens são mescla de duas ou três pessoas que conhecemos. Muitas vezes essas pessoas nos tocam negativamente. Isso faz parte da vida. É preciso compreender para ultrapassar essas barreiras. “

  • Nas cenas de romance e sexo, vocês alguma vez pensaram que certa musica ficaria perfeita na ocasião? Se sim, quais?

“R: Adoramos isso! Você é maravilhosa! Aplausos a sua competência e talento para entrevistas.

Cada personagem tem sua música. E funciona assim: Quando vamos escrever sobre um especificamente, colocamos a música escolhida para ele para tocar. Inclusive citamos isso quando a Júlia dança a primeira vez com o Capitão. Essa é a música deles. 

Conheça os personagens e suas músicas:

Júlia: Toma de Mi – Jennifer Lopez

Andrés: Malaguena Salerosa (Chingón)

Miguel: Estoy Enamorada (Thalia) e Qué Será De Ti (Thalia)

Alberto: Bitter Sweet Symphony (The Verve)

Cenas Românticas:

A Thousand Years (Cristina Perri)

Try (Pink)

Slave To Love (Elan Atias)

I’m on Fire (From The Fifty Shades of Grey)

Os demais personagens não tem música definida. Quando a cena é forte, escolhemos músicas com essa entonação. “

  •  Ler é indispensável para escrever bem ou pode atrapalhar?

“R: Ler é indispensável para a vida! E nunca atrapalha! Em nenhum contexto.

Simone: Adoro uma frase que certa vez ouvi e que me acompanha… Uma mulher inteligente é impactante; uma que lê é perigosa! Porque para ela nenhuma porta se fecha, quase tudo é possível!”

  • Como foi o processo de criação? Vocês só decidem: esta na hora de escrever e sentam juntos ou é quando a inspiração vem? 

“R: Toda noite sentamos lado a lado, na mesa do nosso escritório. É quando trabalhamos e nos dedicamos aos livros. Algumas vezes, cada um desenvolve uma ideia no seu computador e depois juntamos os textos. Outras, um dita para o outro. E a forma que mais gostamos é quando fazemos uma espécie de encenação. Nesse momento cada um torna-se o personagem que fará parte da cena e deixamos os diálogos darem o rumo à história. Quando isso acontece, nem nós podemos prever o resultado.

O livro Caminhos do Prazer tem um final que não imaginávamos. Os personagens tomaram conta dos diálogos e a história outro rumo! Foi incrível!

  • Vocês sempre foram muito atenciosos e simpáticos. Recebem muito carinho e elogio dos fãs? Como lidam com as criticas? Já aconteceu de uma critica deixarem vocês para “baixo”? 

“R: Até esse momento as críticas foram positivas. Adoramos o contato com os leitores; afinal, é para eles que escrevemos. ”

  • Estão ansiosos para o lançamento da continuação do livro? Vocês podem adiantar alguma coisinha que ira acontecer com Julia? Confesso que estou morrendo de curiosidade.

“R: Para você que é nossa amiga tão querida, vamos adiantar que Miguel voltará com tudo! E que as tramas estão muito mais empolgantes!

Estamos bastante ansiosos! A oportunidade de encontrar os leitores e fazer amigos é maravilhosa! Amamos falar sobre os livros e o quanto gostamos de escrever.”

  • Deixem uma mensagem ou conselho para os fãs e possíveis escritores 🙂

“R: Estamos a disposição para mais perguntas e troca de informações. Realmente amamos escrever e temos vontade de ajudar aqueles que querem dedicar-se a arte.

Nosso conselho é estudem a técnica. Façam do dicionário um aliado! Um bom escritor é aquele que conhece grande número de palavras e seus derivados. Quanto mais souber, maior será o sucesso! E não tenham preguiça de pesquisar!”

“Fran querida, receba nosso carinho. Acreditamos que chegará o dia que poderemos selar nossa amizade com um abraço! Você tem lugar cativo em nossos corações.”

Gostou? Deixe um comentário, é sempre um prazer 🙂

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2 comentários sobre “Conversando com Alexandre e Simone Fraenkel

  1. Pingback: Resenha – Livro Caminhos do Prazer | Inside the Books

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