Conversando com Pedro Irineu

Oi oi meus amores, o post de hoje é uma entrevista com um autor incrível. Se não conhece ele ou as obras já tem resenha dos livros aqui: Livro Pelas Mãos das suas Amadas / Livro Mulheres de A à Z. Agradeço ao Pedro pela atenção que teve ao responder. Os links com as redes sociais do autor e modo de adquirir os livros você encontra no final da entrevista.

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  •  Como começou esse seu interesse pelo mundo da literatura?

Desde que me recordo como gente, eu gosto de ler. Comecei pelos gibis, depois por livros infanto-juvenis, e então fui apresentado aos 12 anos por uma tia minha a Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, numa edição bem bonita, a qual eu ainda guardo com muito carinho, e se eu tivesse que estabelecer um marco para o meu interesse pela literatura, eu diria que se deu com a leitura desse livro, a qual, no início, não foi nada fácil, mas depois que eu fui desvendando que o significado daquelas palavras formavam uma narrativa cheia de estórias divertidas e engraçadas, eu quis imergir de cabeça nesse mundo.

  • Qual seu gênero favorito de livros? E qual você não gosta de ler de “jeito nenhum”? Porque?

Eu leio de quase tudo, até bula de remédio (eu realmente leio bula de remédios, não é força de expressão), porém, não me agrada muito leituras de auto ajuda que espalham pseudociências e psicologismos baratos por um aí, traçando um roteiro que tudo faz parecer solucionável, se você seguir certas dicas. Gosto sim de revistas e livros que trazem belos textos com temas ligadas ao cotidiano, com abordagens filosóficas que poderiam ser classificadas como de “autoajuda”, porque afinal de contas sempre trazem um ensinamento ou lição, mas eles mesmos não se pretendem como solução para problemas; apenas oferecem perspectivas para se lidar com eles.

  • Se não fosse escritor, qual profissão você seguiria?

Digamos que eu estou muito satisfeito com o desempenho de todas as minhas atividades profissionais, embora você sempre possa melhorar, inclusive financeiramente kkkkk. Como parte de um clichê, eu sempre sonhei em ser um Rock Star ou uma estrela do cinema. Isso sempre foi mais fantasia do que verdadeira aspiração, mas quem sabe um dia você não me vê nos palcos de show ou na televisão interpretando um mocinho ou um vilão hahaha.

  •  Quando pensou em lançar o livro, você enfrentou muitas dificuldades? Acha que o autor brasileiro é pouco valorizado?

Sim, enfrentei algumas dificuldades e acho que a literatura nacional é pouco valorizado, mas quero ter esperança que esse quadro está mudando, e que temos que fazer por onde para ele mudar, melhorando a qualidade tanto de autores, como de leitores também, e do próprio mercado editorial que devia se voltar mais para a literatura nacional. Um povo que não realiza a sua própria cultura é como alguém que nunca vai descobrir a si mesmo. Claro que pode e deve haver interação com a literatura de outros lugares, mas o pouco espaço dado aos autores nacionais, em comparação com a avalanche de obras estrangeiras que aqui chegam, algumas de qualidade bem duvidável, não se justifica.

  • Quanto tempo levou pra escrever os livros? Em algum momento você pensou em desistir da vida de escritor?

Ambos eu escrevi em mais ou menos um ano. Digo, do primeiro ao último parágrafo, porque o processo de criação inicia antes mesmo de se escrever a primeira linha e continua mesmo depois que você escreve supostamente a última. Nunca pensei em desistir da vida de escritor, porque isso seria desistir de uma parte significativa da minha própria vida. Claro que há momentos em que você fica desanimado se você acha que não te dão o reconhecimento adequado, mas eu tenho para mim que você escreve para os outros e para si mesmo, é uma comunicação. Se você só escreve para os outros, está dando notícia. Se só escreve para si mesmo, está escrevendo um diário. Logo, escrevo, de certa forma, para amigos e estranhos que um dia poderão virar amigos, e se um dia, e você não dá as costas para os seus amigos!

  • Lendo seus livros HOJE, mudaria algo ou ficou exatamente como você queria desde o inicio?

Em se tratando de estória, não, mas corrigiria alguns erros de grafia, assim como as próximas edições deles terão, naturalmente, uma segunda capa. O livro nunca fica exatamente como você queria desde o início, há sempre novas possibilidades narrativas que surgem no caminho e podem desviá-lo do caminho originalmente traçado. Eu poderia falar de um final alternativo que cogitei para o Pelas mãos das suas amadas, mas temo entregar spoilers kkkk.

  • Como é sua rotina de escritor? Tem um ritual para escrever? Alguém opina nos seus livros?

Gosto de escrever em cafeterias, tomando café, acho que esse é o único ritual que praticamente conscientemente. Também não gosto de escrever várias páginas em um dia. No máximo, dez. No entanto, escrevo quase todos os dias, quando estou com um conto ou uma estória na cabeça.

  • Você tem um livro de romance (mulheres de a a z) e um livro de ficção policial, mistério. Como foi lançar dois livros com gêneros diferentes? Você pretende escrever algum outro livro de outro gênero?

Eu adoro desenvolver outras habilidades, e escrever contos e crônicas foi algo que já estava querendo fazer há muito tempo, até mesmo porque o Pelas mãos das suas amadas começou como um conto. É uma escrita gostosa porque você começa e terminar geralmente no mesmo dia, vê o resultado logo de cara. Como deu pra perceber ao fim do Mulheres de A à Z, eu pretendo um dia lançar um livro de poesias.

Agora sobre “Mulheres de A à Z – ou fragmentos de historias que poderiam ter sido romances”.

  • Você sempre quis escrever contos ou foi uma ideia que surgiu do nada?

Do nada não se cria alguma coisa, porque se algo saiu dele, ele não era, a rigor, o nada kkkkk. Bem, eu acho que já respondi essa pergunta acima, mas falando um pouco mais sobre minha vontade de escrever contos e crônicas, ela foi também um passatempo enquanto eu escrevia o meu terceiro romance, que espero lançar ainda este ano, uma vez que este é bastante volumoso, e eu queria escrever estórias curtas para compensar a longa narrativa do romance.

  • As mulheres do livro foram todas histórias reais que você vivenciou ou são ficção? Você realmente já perseguiu alguém só pra ter o que fazer? Se sim, você deve ser uma figura HAHA’

São todas ficcionais, exceto Maria, que é minha mãe kkkkk. De fato, eu tenho uma amiga chamada Karen, e ela foi a primeira pessoa, que eu tenho notícia, que leu meu livro, quando ele ainda só existia em formato digital, mas a estória do avião é totalmente inventada, acreditem. Não, nunca persegui nenhuma mulher porque estava morrendo de tédio, e mesmo se tivesse feito, não deixaria essa confissão por aqui escrita kkkkk.

  •  No livro Mulheres de A á Z, o personagem que narra os contos é praticamente um Dom Juan. Você também é assim? Já aconteceu algum caso engraçado com alguma fã por causa da temática do livro?

Primeiro, eu não acho que o Eu Lírico do Mulheres de A à Z seja um Don Juan, até porque ele nem sempre se dá bem, como é o caso de Flores para Olívia, e Paloma e a minha primeira saída noturna. Bem, eu já tive algumas namoradas, mas estou longe de ser um Don Juan, principalmente estes de micaretas kkkkk. Se um dia vier a ter esse título, quero fazer por merecê-lo, mas eu me vejo bem mais como um pai de família tendo cinco filhos, uma casa de praia, e três cachorros kkkkkk.

  • Você pretende escrever mais contos divertidos e levados a situações românticas assim ou foi o primeiro e ultimo?

Não tenho esse dom de profetizar o futuro que minha obra vai levar kkkk, mas em termos de intenção, o gênero de contos e crônicas me agrada muito, e, eu de fato, gosto de passear entre gêneros. Ninguém come arroz todo dia, digamos assim hahaha.

Agora sobre Pelas Mãos das Suas Amadas

  • Como foi o processo de criação de personagens tão complexos como Amparo e o detetive Maia?

Foi descobrir a alma de outro. Verdadeiramente os imaginei como velhos conhecidos, com quem já tive longas conversas e sei de todas as estórias da vida deles, ou como aquelas pessoas que, num instante, de conversa, você já vai querendo saber tudo sobre elas. Construir ou desconstruir personagens que você chamou de complexos é um processo de substancializar estórias de vidas, qualidades, defeitos, ambições, fraquezas, etc.

  • O que de você se parece com o detetive? Os personagens foram inspirados em alguém real? Qual o seu personagem favorito?

Eu gosto de ler, igual a ele, e sou meio cético quanto a eventos sobrenaturais também. As pessoas da vida real sempre são matéria-prima para personagens, mas não há nem de perto a correspondência total entre um personagem do romance e alguém da vida real, sequer de forma alusiva. Eu gosto muito do Detetive Maia, claro, porque ele é um personagem repleto de contradições que às vezes ele mesmo quer negar, mas não consegue, como o fato de querer ser moralista, e, no entanto, embriagar-se bastante e cair sem muita resistência nos braços de prostitutas, e Dália principalmente porque ela é uma personagem a qual se alude várias vezes, antes que ela realmente apareça no romance, e ainda que brevemente. De certa forma, Dália é uma personagem da qual só podemos ter ideia através da imagem que o detetive Maia faz dela, como a noiva que o deixou, que partiu seu coração, embora sua aparição indica que ela era mulher bem independente e desgarrada dos padrões daquela época, para uma mulher da sua classe social.

  • A ideia do enredo Pelas mãos das suas amadas veio como? O que te inspirou para escrever a história?

Como eu disse, o Pelas mãos das suas amadas iniciou-se como um conto. A rigor, eu só tinha em mente a cena do primeiro assassinato, depois eu achei que seria bacana colocar um detetive para investigá-los, e a ideia de homens entregando suas vidas, ainda que não tivessem plena consciência disso, para ter uma última noite de amor com as mulheres que amaram, é o mote de todo o livro. Digamos que a minha principal inspiração foi a morbidez que certas pessoas adquirem depois do término de um relacionamento, deixando a tristeza se arrastar por um término de um relacionamento. De certa forma, o Pelas mãos das suas amadas é uma estória de superação dessa morbidez.

  • Você é muito ligado em lendas e superstições igual o povo de Ouricuri? Se sim, quais?

Como mera curiosidade intelectual ou cultural, sou sim. Adoro os mitos gregos, por exemplo. Como crença, não. Nunca dei os sete pulos para Iemanjá, na virada do ano novo, e também não tenho problemas com gatos pretos, nem em passar por baixo de escadas.

  • O final do livro Pelas Mãos das Suas Amadas foi INCRIVEL. Tem continuação vindo por ai? O que pode nos adiantar sobre isso?

Quem sabe…. O terceiro romance já está pronto e envolve tramas investigativas também… Se será com o detetive Maia? Aguarde e verá!

  • O livro é bem detalhado, você teve que fazer pesquisas?

A rigor, não. Tudo veio de uma imaginação bem vívida, inclusive a própria lenda da Amante dos Corações Partidos.

  • Qual o conselho que dá para os jovens escritores? Deixe um recado para os fãs e leitores das suas obras.

Não desistam e continuem o bom trabalho! Leiam e escrevem sempre! E vivam! Viver é sempre uma matéria-prima excelente para boas estórias.

Pingue- pongue

⦁ cães ou gatos?
Ambos, adoro animais. Odeio vê-los presos, no entanto.
⦁ qual a coisa que mais te irrita?
Demora e expectativas frustradas. Essa combinação me deixa bem ansioso, estou aprendendo a lidar com isso kkk
⦁ comida favorita?
Várias, mas adoro pizza. Comeria pizza todos os dias.
⦁ livro preferido? ( os seus não valem rsrs)
O Processo, a República, o Princípe, Dom Quixote, a Odisséia, As Portas da Percepção, Dom Casmurro, Triste Fim de Policarpo Quaresma
⦁ verão ou inverno?
Primavera. Pena que essa estação não existe em Recife, que só conhece duas estações: com muita chuva e com chuva.
⦁ filme ou balada?
Praia.
⦁ clássicos ou contemporâneos?
Ambos
⦁ esporte favorito?
Pingue-pongue, tênis, futebol.
⦁ o que tem de mais valioso?
A minha vida, os meus pais, a minha irmão, e o meu sobrinho que está por vir, e no futuro, a minha família.
⦁ se pudesse fazer um único pedido, o que pediria?
WORLD PEACE….! E também amanhecer no dia seguinte com uma conta bancária enorme, advinda de um reconhecimento literário merecido e convertido em dividendos, que não me fizessem ter mais nenhuma preocupação nessa vida, a não ser produzir minha obra literária e fazer o que eu gosto.
⦁ tem medo da morte?
Tenho medo de não viver.

Então pessoal, é isso. Se quiser conhecer mais sobre o autor não deixe de segui-lo nas redes sociais e adquirir o livro.

Redes Sociais do autor: Instagram / Facebook

Você encontra o livro na Livraria Saraiva, Cultura, Imperatriz ou pode adquirir direto com o autor no email: pedroirineuneto@hotmail.com

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4 comentários sobre “Conversando com Pedro Irineu

  1. Pingback: Livros que li em Abril | Inside the Books

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